Esquivou-se das asneiras, contornou suas palavras e golpeou-lhe com a verdade:


Desde já, pega a sua caneca de estanho, pendura no casaco puído e faça da figurinha do Pelé o seu escaravelho mágico.
Volte no tempo e por lá fique, porque agora tudo anda confuso por cá. Aproveite que ainda pode se confinar no seu aposento de pensamento minúsculo que só cabe um.
De qualquer maneira, faça uma bainha para as suas palavras, e coloque rubis nos punhos delas. Nada mais apropriado.
Aguarde na porta do aeroporto por um bilionário que morra de saudades da barba e das sandálias, e que ainda não tenha se perdoado por ter traído seus ímpetos, trocando-os por uma gravata, e que por isto carregue o cenho sempre com aspecto de cérebro.
Quando ele passar, comece a cantar “California Dreaming”, a cutucar sua caneca de estanho, a guisa de back vocal.
Recolha sua gorjeta obesa e dê-lhe a figurinha do Pelé, para que seu próprio cenho se desenrole, por tê-la roubado de um menino

 

 

Escola de gritos

Escarros suspiros aliterados.
Expelidos sem jeito e atropelados.
Escassos suspiros verdadeiros.
Escassos suspiros ouvidos.
Mirrados cochichos
que contam histórias pequenas de grandes feitos.
Meros espasmos de sonho congestionado.
Rabiscados esboços de sorriso desbotado.
Espirros de alívio de vírus acumulado.
Ensaio de apego ao brinquedo de lado.
Ensaio de olhar focalizado
no não sei aonde
no além de suspiro aliviado.
No escarro cochicho coagulado.
Esbarros no desconhecido imaginado.
Tropeços nos pés de pluma.
Tropeços nas letras mirradas
postas ao léu nas imagens faladas.
Escamas caindo de alma desarticulada.
Pendendo de sonhos sinestesiados.
Espalham na ida ao castelo queimado.
Seqüestradas pelo vento.
Confundem os olhos já embaraçados.

Escarros suspiros
Sem nenhum motivo.
Sem lenço para afastar os escarros pesares.
Pesados choros pelo brinquedo quebrado.
Pedaços de sonho com o vento imaginado.
Na escola de gritos desesperados...
com o vento imaginado.



Escrito por Mariana às 14h12
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Putz, estou com este blog há quatro anos. E ainda falo “putz”. Pra vocês verem que colocar a minha idade aqui é algo totalmente inútil. Primeiro porque provavelmente ficarei mais de um ano sem atualizar isto aqui, fazendo vocês pensarem que eu ainda tenho 18 anos, e segundo porque, putz, ninguém com a minha idade ainda escreve o que fala. De qualquer forma, meu nome ainda é Mariana, ainda finjo escutar somente rock e ainda pago recompensas para quem achar meu balde de lego perdido no verão de 1995. Algumas coisas mudaram: descobri como mudar o template do blog, mas preferi deixar assim. Antes, eu queria por tudo mudar, mas não sabia como. As coisas mudaram. Sejam bem vindos ao blog, que tem esse nome porque houve um tempo em que estava na moda usar palavras sonoramente feias, mas que denotassem uma espécie de sátira inteligente. Sim, eu sei que esta é uma das coisas que deveriam mudar, assim como o template.
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