Esquivou-se das asneiras, contornou suas palavras e golpeou-lhe com a verdade:


Rodin

Faz um tempo que ando fazendo um curso de filosofia. Tinha a esperança de que em cinco meses eu estaria livre, com um alvará para sentar no primeiro banco de praça, aconchegar meu punho sobre o queixo e virar uma pedra. Mas, por uma meia dúzia de motivos, acabei ficando por mais um ano e descobrindo que há coisas melhores para o homem se tornar, que não uma pedra. Estou treinando para ser uma montanha, com neve no topo e grutas azuis, que são azuis sem precisar da luz do céu.

O fato é que numa das provas havia a velha questão de conhecer-se a si mesmo. Vai ver foi isso que esticou os cinco meses em mais de um ano.

Para resolver essa questão de uma vez por todas, fiz-me o mais inocente dos convites: tomar um café. Na verdade, para tomar um balde de açaí (acontece que como ainda sonho em ver um texto meu publicado no Times, procuro usar bebidas e lugares universais), assim, me chamei pra um café, em qualquer lugar com wireless. De qualquer forma fiz esse convite porque é num simples café que conhecemos pessoas que podem se tornar nossos melhores amigos, namorados ou escritoras de Harrys Potters.

Conversa vai, conversa vem e não consegui descobrir muito, além de um gosto fenomenal por boa música e grandes feitos da renascença. Descobri o que fazia da vida, como fazia e o que queria fazer. Não consegui descobrir-lhe a idade ou o número de suas roupas, pudera, nem de mim eu consigo arrancar esses dados...

Quem era, de onde vinha, para onde e como iria remanesceram um Mistério.  Percebi então que meu convite, o café e a conversa mole haviam sido em vão. De tanta frustração a fiz dividir a conta comigo e levar pra casa minha cara emburrada.

Foi quando ouvi meu nome para que eu me virasse, e quando o fiz, vi uma menina, vestida de montanha, sentada entre vales. De sua face escorria um rio calmo, que pingava de seu queixo para os ossos do ombro, formando ali o início de uma gruta.

Esfreguei os olhos, e assim também fizeram todas as pessoas no local. Em menos de um segundo, a menina tinha desaparecido de entre os vales e da memória de todos, que voltaram aos seus bancos e pensamentos de pedra.



Escrito por Mariana às 13h40
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Putz, estou com este blog há quatro anos. E ainda falo “putz”. Pra vocês verem que colocar a minha idade aqui é algo totalmente inútil. Primeiro porque provavelmente ficarei mais de um ano sem atualizar isto aqui, fazendo vocês pensarem que eu ainda tenho 18 anos, e segundo porque, putz, ninguém com a minha idade ainda escreve o que fala. De qualquer forma, meu nome ainda é Mariana, ainda finjo escutar somente rock e ainda pago recompensas para quem achar meu balde de lego perdido no verão de 1995. Algumas coisas mudaram: descobri como mudar o template do blog, mas preferi deixar assim. Antes, eu queria por tudo mudar, mas não sabia como. As coisas mudaram. Sejam bem vindos ao blog, que tem esse nome porque houve um tempo em que estava na moda usar palavras sonoramente feias, mas que denotassem uma espécie de sátira inteligente. Sim, eu sei que esta é uma das coisas que deveriam mudar, assim como o template.
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