Medo da Morte
Mês passado foi minha vez de passar por uma daquelas situações de auto sabotagem em que, na maior das inocências, se revela desconhecer um fenômeno da natureza que, pelo jeito, ensinam às criancinhas da terceira série. O fenômeno da natureza de que falaremos é As Árvores Morrem. Foi assim: no intervalo da aula lá na Nova Acrópole, estava eu passando com uma camiseta de proteja-o-cerrado perto de alguns colegas, quando elogiaram o lindo ipê amarelo da estampa e logo teceram ricos comentários sobre os ipês. Se fosse aquela uma escola qualquer, que ministrasse cursos de espanhol, por exemplo, a conversa teria parado em: “no México, eles chamam o Ipê de primavera..” . Mas estamos falando de uma escola de filosofía, e logo logo o ipê da mina camiseta atingiría seu ponto metafísico e moral. Um dos colegas, contou que os Ipês são árvores que avisam quando vão morrer. Sim, eles morrem. Continuou esse colega que, na época da morte do Ipê ele floresce alguns meses antes. É batata. Ao contrario dos seres humanos, que ficam calejando suas mãos de tanto se agarrarem nas paredes do entre a vida e a morte, os ipês não apenas sabem quando vão morrer, como o fazem tirando uma onda com a senhora de capuz e foice. Depois dessa, secretamente comecei a despedir-me dos ipês na rua e a ficar atenta caso surgisse em mim uma vontade de usar vestidos floridos antes de setembro.
Escrito por Mariana às 07h19
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