Esquivou-se das asneiras, contornou suas palavras e golpeou-lhe com a verdade:


Medo da Morte

Mês passado foi minha vez de passar por uma daquelas situações de auto sabotagem em que, na maior das inocências, se revela desconhecer um fenômeno da natureza que, pelo jeito, ensinam às criancinhas da terceira série. O fenômeno da natureza de que falaremos é As Árvores Morrem.

Foi assim: no intervalo da aula lá na Nova Acrópole, estava eu passando com uma camiseta de proteja-o-cerrado perto de alguns colegas, quando elogiaram o lindo ipê amarelo da estampa e logo teceram ricos comentários sobre os ipês.

Se fosse aquela uma escola qualquer, que ministrasse cursos de espanhol, por exemplo, a conversa teria parado em: “no México, eles chamam o Ipê de primavera..”  . Mas  estamos falando de uma escola de filosofía, e logo logo o ipê da mina camiseta atingiría seu ponto metafísico e moral.

Um dos colegas, contou que os Ipês são árvores que avisam quando vão morrer. Sim, eles morrem.

Continuou esse colega que, na época da morte do Ipê ele floresce alguns meses antes. É batata. Ao contrario dos seres humanos, que ficam calejando suas mãos de tanto se agarrarem nas paredes do entre a vida e a morte, os ipês não apenas sabem quando vão morrer, como o fazem tirando uma onda com a senhora de capuz e foice.

Depois dessa, secretamente comecei a despedir-me dos ipês na rua e a ficar atenta caso surgisse em mim uma vontade de usar vestidos floridos antes de setembro.



Escrito por Mariana às 07h19
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Putz, estou com este blog há quatro anos. E ainda falo “putz”. Pra vocês verem que colocar a minha idade aqui é algo totalmente inútil. Primeiro porque provavelmente ficarei mais de um ano sem atualizar isto aqui, fazendo vocês pensarem que eu ainda tenho 18 anos, e segundo porque, putz, ninguém com a minha idade ainda escreve o que fala. De qualquer forma, meu nome ainda é Mariana, ainda finjo escutar somente rock e ainda pago recompensas para quem achar meu balde de lego perdido no verão de 1995. Algumas coisas mudaram: descobri como mudar o template do blog, mas preferi deixar assim. Antes, eu queria por tudo mudar, mas não sabia como. As coisas mudaram. Sejam bem vindos ao blog, que tem esse nome porque houve um tempo em que estava na moda usar palavras sonoramente feias, mas que denotassem uma espécie de sátira inteligente. Sim, eu sei que esta é uma das coisas que deveriam mudar, assim como o template.
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